quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Oba oba ou melodia


 “O tempo que se leva para fazer qualquer coisa é o mesmo tempo que se leva para fazer porra nenhuma”, diz o mestre Shaolin interpretado pelo Falcão no mais novo filme dos vizinhos. A sessão de cinema lotada plena terça-feira serve como termômetro para dizer que o diretor Halder Gomes mais uma vez arrasou na sua ousadia!

Se Cine Holliúdy surpreendeu a bilheteria do cinema nacional e fez sucesso em festivais afora, “Shaolin do Sertão” tem chances de ir para o mesmo rumo. Com várias referências ao primeiro filme (e dessa vez sem legendas), o nosso Tarantino do Sertão traz artistas consagrados para duas horas de risos e zoação.


Olha essa sacada linda:
Quixadá: terra da falecida Rachel de Queiroz
Quixeramobim: Terra do falecido Antonino Conselheiro
São Paulo: terra da falecida Marquesa de Santos.
Pode chamar de chata, mas ainda hoje tô rindo disso.

“Depois da meia noite a tendência é amanhecer” diz a filosofia do mestre, que no filme aparece de cueca e sem girassol. Lembrei de uma música da Gramophone “Depois da meia noite a tendência é clarear”.

Falcão sem girassol interpreta o Shaolin (foto: divulgação)


Em entrevistas, o diretor Halder Gomes comentou que a proposta era levar um pouco da recordação que ele via no Ceará, quando os lutadores de artes maciais visitavam o sertão para disputar com os valentões da região. Tal euforia era provocada pela popularização dos filmes em VHS sobre a  temática das lutas.

Sou do tempo que em Karatê Kid arrancava lágrimas da família durante a sessão da tarde. Bem novinha mas lembro disso... será a mesma época?

Em Teresina tínhamos o Zulu lutando contra não sei quem e o alguma coisa Dourado. Por ser novinha leite ninho com pêra não assistia nenhuma dessas lutas. Mas ouvia pelo jornal...

(adendo)
Tive que recorrer ao grupo dos cinéfilos para conseguir informações dos nomes dos lutadores:
Wellington Dourado o nome do valentão made in Pi. Segundo informações, ele ganhou a luta porque a torcida derrubou o Zulu no ringue e esse desmaiou.
(fim do adendo)

Li também que o filme é sucesso de bilheterias mesmo competindo com filmes estrangeiros de grande franquias e blá blá blá.

Primeiramente: Fora Temer me recuso a definir como “Cinema cearense”.
Acredito que muita gente pelo sul não vá entender o cheirim na pinta nem meuzovo. Mas a película traz o carioca Marcus Vera como coadjuvante e tem a talentosíssima Fafy Siqueira. Pelo pouco que convivi na produção de cinema e teatro devo dizer: isso influência bastante no produto final viu?
Dorgival Dantas. O POETA Dorgival Dantas aparece com sua sanfona e seu cabelo esvoaçante (á alisado de prancha?). Tirulipa interpretando um o palhaço e Dedé Santana também participam do filme que traz aquele humor simples e caricato, mas que enobrece toda a obra exatamente por isso.


Dedé Santana não fez apenas figuração. Talvez por isso tenha postado essa imagem no seu perfil da rede social...


Apesar dos palavrões soltos, todos na sessão riram efusivamente. Inclusive os bebês de colo #exagerada. Aliás, essa é a parte mais linda do filme: O Shaolin do Sertão está levando jovens, pais, filhos, avós e netos ao cinema. Comigo isso só aconteceu quando assisti Peppa Pig!!

A critica especializada em cinema pega no pé do diretor pelo atrelamento a Cine Holyudy:  referência ao cinema, relação do protagonista com uma criança, o sertão antigo como cenário...

Faz jus ao filme que também está em cartaz por essas épocas né? A super produção hollywdiana traz mais uma vez o professor Robert Langdon viajando a Europa para salvar o mundo de uma catástrofe. Acompanhado de uma mulher super inteligente menina prodígio desde a infância. (não é Anjos e Demônios nem O Código Da Vinci. Estou falando de “Inferno” que assisti semana passada...).
Se a fórmula dá certo, que seja repetida sim. Esse é o pré requisito básico da indústria cultural.

Na semana em que um dos meus compositores favoritos - que por coincidência é cearense- completa 70 anos de idade e no mês em que o Estado em que nasci conta com um feriado em sua homenagem, faço um esforço tentando deixar o bairrismo e falar das duas coisas.
Enquanto pesquisadora, amei. Enquanto nordestina, amei. Enquanto CONSUMIDORA de cinema também amei. E amar e mudar as coisas deve ser sempre nosso maior interesse!!!

Os créditos pós filme informaram: com exceção do humanos, nenhum animal no filme levou dedada. ASSISTAM E CONFIRAM 


Kusses



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